Desafio do próximo governante será equilibrar contas públicas, afirma economista
Por Thais Immig
Do ponto de vista econômico, quem ocupar a cadeira do Palácio do Planalto no próximo ano terá pela frente o árduo desafio de equilibrar as contas públicas sem desmontar programas sociais já consolidados. Em um cenário marcado por juros elevados, endividamento das famílias e incertezas na economia internacional, o próximo governo também precisará encontrar formas de estimular o consumo e ampliar o espaço para investimentos. A avaliação é do economista e professor da Universidade Franciscana (UFN) Mateus Frozza.
Para o especialista, medidas de ajuste fiscal não devem se concentrar em políticas como Bolsa Família, ProUni e Fies. Na avaliação de Frozza, esses programas representam uma parcela pequena da economia brasileira e também contribuem para movimentar o consumo.
– O grande desafio do próximo governante, em termos federais, é reequilibrar as contas públicas sem desmontar as políticas públicas. Estou me referindo, com certeza, ao Bolsa Família, ao ProUni e ao Fies. São programas já consolidados, que não são de um governo específico e precisam ter continuidade – afirma.
Segundo o economista, o principal problema das contas públicas está relacionado a despesas de maior impacto, como a Previdência, e à dificuldade de abrir espaço para investimentos. Por isso, ele avalia que cortes em políticas de menor peso não seriam suficientes para solucionar o desequilíbrio fiscal. Frozza compara a situação à de uma família endividada. Se uma pessoa tem uma dívida de R$ 100 mil, por exemplo, reduzir gastos com televisão por assinatura ou telefone teria pouco efeito diante do tamanho do problema. Na avaliação dele, seria necessário adotar medidas compatíveis com a dimensão do desequilíbrio.
Além das contas públicas, outro ponto de preocupação é o endividamento das famílias. O economista afirma que o cenário de juros elevados dificulta o acesso ao crédito e reduz o consumo, com impactos sobre a atividade econômica e a geração de empregos.

Foto: Reprodução
Taxação e cenário internacional
O ambiente externo também aparece entre os desafios para o próximo governo. Frozza cita a guerra na Ucrânia e a sobretaxação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos como fatores que podem afetar a economia nacional. Na avaliação do economista, os efeitos da medida norte-americana são sentidos de maneira diferente entre os setores e podem atingir cadeias produtivas importantes no Rio Grande do Sul, especialmente regiões com forte presença industrial.
Ele ressalta que crises econômicas, sejam internas ou externas, tendem a atingir de forma mais intensa a população de menor renda:
– Isso acaba trazendo reflexo e isso acaba mexendo nessa geração de emprego e renda. Lembrando: seja crise interna ou externa, quem sofre é as pessoas de menor poder aquisitivo.
Restabelecer o consumo
Diante do elevado nível de endividamento, Frozza defende que os candidatos à Presidência apresentem propostas concretas para recuperar o poder de compra das famílias. Segundo ele, uma das prioridades deveria ser a criação de mecanismos para renegociar dívidas e permitir que os consumidores voltem a ter acesso ao crédito.
O economista cita como referência programas de financiamento já existentes, como o Fies e o Pronamp, e sugere uma espécie de grande programa de renegociação, com juros inferiores a 1% ao mês.
– Eu preciso, de fato, fazer um grande financiamento para a pessoa recuperar o crédito. A grande maioria das pessoas que está devendo está devendo até R$ 3 mil. Então, preciso fazer um parcelamento para essas pessoas, com juros de menos de 1% ao mês, para restabelecer o consumo – explica.
Para Frozza, a recuperação do consumo passa também pela redução da taxa de juros. Ele argumenta que o custo elevado do crédito desestimula a compra de imóveis, veículos e outros bens de maior valor.
Desafio também é estadual
No Rio Grande do Sul, o principal desafio econômico apontado por Frozza é semelhante: reorganizar as contas públicas para ampliar a capacidade de investimento e conceder reajustes reais ao funcionalismo.
– O principal desafio do nosso Estado, principalmente, é regularizar as contas públicas para que eu possa, de fato, dar aumento real, seja para os professores ou seja para a Brigada Militar – afirma.
Eleitor deve cobrar propostas concretas
Diante da disputa eleitoral, o economista também recomenda que os eleitores avaliem não apenas as promessas dos candidatos, mas principalmente como elas seriam colocadas em prática. Na avaliação dele, é necessário questionar de onde virão os recursos para financiar cada proposta, qual será a estratégia adotada e em quanto tempo os resultados poderão ser alcançados:
– Quando a gente vem discutir, eu tenho que pegar e dar caminho. Preciso dizer como vou resolver o problema, de que forma e de onde vai vir o recurso. Isso é fundamental.
Frozza também defende que os eleitores considerem candidatos com vínculos com Santa Maria, independentemente do partido, como forma de ampliar a possibilidade de articulação por recursos para o município.
– Precisamos trazer recursos para a cidade e só traz recursos para a cidade votando em pessoas que são daqui ou que têm vínculos com Santa Maria – conclui.
Republicado do site DIÁRIO DE SANTA MARIA: https://diariosm.com.br/noticias/politica/desafio-do-proximo-governante-sera-equilibrar-contas-publicas-afirma-economista.30896950#goog_rewarded

